Frase

"A inveja consome o invejoso como a ferrugem o ferro." (Antistenes)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Prefeita Flávia Galdino articula entre gestores adoção de proposta de bolsas de pós-graduação em troca de contribuição à gestão.

Uma proposta lançada esta semana em Piancó inova na introdução de um novo agente financiador da pesquisa científica no Brasil: o município. Há uma articulação, desencadeada pela prefeita Flávia Serra Galdino (foto), para oferecer bolsas de mestrado e doutorado a pós-graduandos de universidades públicas que tomarem como objeto de investigação problemas que desafiam às administrações locais, em várias áreas do conhecimento. Eles têm uma lista grande de problemas e quase nenhuma solução técnica de baixo custo à vista. Alguns são crônicos como o déficit de água de qualidade (apesar das chuvas abundantes), o esgotamento sanitário (nem há rede de esgoto e nem tratamento), o que fazer o com o lixo e os lixões, e como evitar a ocupação desordenada do espaço urbano.
Outros são específicos e emergentes, ligados a áreas como educação, saúde, assistência social e, principalmente, ao desenvolvimento econômico. O entendimento comum é que os modelos de administração baseados no improviso e no conhecimento tácito do gestor e seus auxiliares, em cidades do interior, também se esgotaram. O conhecimento especializado é cada vez mais requerido, segundo a prefeita de Piancó e idealizadora da proposta, Flávia Serra Galdino. De um lado, pela complexidade da realidade a ser administrada de forma sustentável, e, de outro, pela necessidade de se reduzir gastos em ações emergenciais e paliativas.
Os municípios enxergam no financiamento da pesquisa aplicada, por meio da concessão de bolsas, vantagens significativas. Em primeiro lugar, apostam em diagnósticos de qualidade insuspeita. Nenhuma política pública que se preze se faz sem esse instrumento. Em segundo, entendem que ao concederem o benefício receberão, em contrapartida, uma assessoria técnica reforçada, uma vez que não há pesquisa de mestrado ou doutorado sem orientação de um especialista doutor.
Uma terceira vantagem diz respeito ao produto final (dissertação ou tese), que pode, na compreensão dos gestores, gerar ou orientar políticas públicas, corrigir distorções e vícios dos antigos modelos e otimizar recursos, humanos, técnicos e financeiros. “É uma relação em que todos ganham”, diz Flávia Galdino. “O aluno, pela bolsa que financiará seus estudos; a universidade, pela oportunidade de construir mudanças, e o município, que tentará colocar em prática as mudanças sugeridas”, explica.
O benefício, segundo Flávia Galdino, tanto pode ser concedido por uma prefeitura quanto por um consócio de prefeituras. Todo ano seriam lançados editais individuais ou consorciados com a oferta de um determinado número de bolsas e a relação das demandas a serem atendidas. Os alunos de pós-graduação (mestrado e doutorado) concorreriam por meio de projetos, que seriam analisados por uma comissão de especialistas e pelos gestores interessados.
Cada bolsa teria a duração de dois anos, ao fim dos quais o aluno apresentaria um relatório propositivo. O valor do benefício não está definido, mas pode chegar a 80% da tabela paga pelo CNPq (mestrado R$ 940, doutorado R$ 1.394). Os primeiros contatos para a execução da proposta foram feitos com a reitora da Universidade Estadual da Paraíba, professora Marlene Alves Souza Luna, natural de Itaporanga, que ficou bastante entusiasmada. O primeiro documento oficial com a proposta deve sair em 15 dias.

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